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O Citroën C4 VTR


O Citroën C4 VTR chegou ao mercado nacional em 2006, importado da França. Com visual ousado, excelente construção, bom desempenho e lista de equipamentos recheada, ele logo conquistou muitos fãs. Mas, com apenas três anos de mercado, o modelo acabou virando história e, por pouco, não se torna um mico por aqui.
Foram três reclamações principais a respeito do hatch. A primeira foi o fato do veículo ter apenas carroceria de duas portas. O segundo foi o visual, com a traseira tão ousada, que acabou eliminando o meio termo: ou você gosta, ou não gosta. Mas o principal problema do carro estava no bolso do consumidor: além de custar caro, sua manutenção (peças e mão de obra) e seu seguro custavam acima da média dos concorrentes.
Quando começou a ser importado, o C4 foi lançado no Brasil por R$ 68.500. O preço alto foi justificado pela boa lista de equipamentos de série: direção eletroidráulica, ar-condicionado digital dualzone (com ajuste independente para motorista e passageiro), computador de bordo, trio elétrico, sensor de chuva, seis airbags e sistema ABS de freios com controle de tração (ASR) e de estabilidade (ESP). Completo, com os três opcionais disponíveis – rodas de liga leve, bancos de couro e faróis de xenônio direcionais -, seu preço subia para salgados R$ 76.200.
Visualmente, o C4 VTR torcia alguns pescoços por onde passava. Seus faróis em forma de bumerangue estavam em perfeita harmonia com o restante da dianteira que, por sua vez, combinava com o teto curvo. A ousadia da traseira era o grande atrativo. O vidro traseiro dividido fazia quase um ângulo de 90°. Já as lanternas ficavam dispostas na vertical, “subindo” pelas laterais do vidro. Um conjunto estético mais voltado para a esportividade. A equipe de designers da Citroën estava realmente inspirada quando desenvolveu o modelo.
Por dentro, mais ousadias. O volante multifuncional, de respostas lentas demais para um carro com pretensões esportivas, era futurista, com o centro fixo. Antes de se acostumar, o motorista tinha a impressão de estar sendo hipnotizado por ele. Mas o centro fixo, ainda uma atração no C4 hatch quatro portas e no Pallas, tem os controles do sistema de som, do limitador de velocidade, do computador de bordo e da reciclagem do ar. Outro aspecto considerado polêmico pelos homens – e adorado pelas mulheres – era a possibilidade das saídas de ar centrais do console exalarem perfume.
O motor 2.0 16V de 143 cv de potência a 6.000 rpm e 20,4 mkgf de torque a 4.000 rpm (somente a gasolina) garantia um excelente desempenho ao C4 VTR. Aliando o propulsor com uma suspensão mais firme (boa pela estabilidade e ruim por não absorver as imperfeições do solo lunar brasileiro), com um banco que acomodava bem o corpo e com os comandos bem à mão, o hatch médio francês foi uma grande pedida para os motoristas que gostavam de uma condução mais esportiva – exatamente os maiores fãs e os principais compradores do C4 VTR.
Mico de mercado?
Mesmo com excelentes qualidades, o C4 importado da França não emplacou no Brasil. A Citroën passou então a acelerar os planos para a chegada do da versão quatro portas, mais barata e menos ousada (de traseira) do C4. Mas, para tentar dar uma sobrevida ao VTR, a marca, no meio de 2008, reduziu o preço do modelo de R$ 69.325 (na época) para R$ 63.500.
O corte foi muito bem-vindo, mas não suficiente para aquecer as vendas. Foram comercializadas apenas 1.325 unidades do hatch francês em 2008. Depois de dois anos, o mercado já havia mudado e o C4 VTR perdeu muito espaço. No início do segundo semestre de 2009, a Citroën desistiu de importar o C4 de duas portas. Não existe nem sinal do carro no site da marca.
Ligamos para sete concessionárias da Citroën em dois estados brasileiros: Minas Gerais e São Paulo. Perguntamos se ainda existia alguma unidade do C4 VTR no estoque, se o modelo virou mico de mercado por não ser mais comercializado e se alguém ainda o procura.
Nenhuma das concessionárias tem o carro. O comentário de um vendedor da capital mineira, que preferiu não se identificar, parece revelar o sentimento das revendas em relação ao veículo: “Graças a Deus ele saiu do mercado. Era um ótimo carro, mas muito caro e com baixíssima procura. No ano passado, fazíamos quase uma festa quando um VTR era vendido”.
Entretanto, em cinco das sete concessionárias, alguns consumidores ainda procuraram o VTR em 2010. Em todas as revendas, a versão mais procurada atualmente é a GLX, primeiramente com motor 1.6 16V flex e, em seguida, com o propulsor 2.0 16V flex.
Em relação ao mico, todos os concessionários foram unânimes: o C4 VTR só não virou um problema de mercado porque o C4 hatch quatro portas está sendo bem vendido. Como eles compartilham muitos componentes, não é tão complicado conseguir peças para o modelo.
Lobo Ucrânia

Lobo Ucrânia

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